O panetone é uma das tradições natalinas mais antigas do mundo. Ele encanta não apenas por sua massa aerada e aromática, com recheios que já vão muito além das tradicionais frutas cristalizadas e passas, mas também por suas elegantes formas e ricas embalagens, que fazem do panetone uma excelente opção de presente de Natal.

Por esta razão, escolhemos este tema para o lançamento do Blog do Quem Fornece.
Vamos juntos explorar o universo do Panetone?
A origem do panetone
Há algumas lendas sobre a origem do panetone. Uma das mais conhecidas é a do ajudante de cozinha chamado Toni, que salvou o jantar da corte de Ludovico il Moro (1480 a 1499). Toni teria feito um pão com farinha de trigo, ovos, manteiga e frutas cristalizadas, para celebrar com seus amigos, mas gentilmente ofereceu a iguaria para ajudar o cozinheiro-chefe, quando este queimou uma sobremesa. O sucesso foi imediato e o “Pão do Toni” teria se transformado em “Panettone” com o passar do tempo. Uma outra versão fala de um nobre apaixonado que fez um pão especial para conquistar o sogro padeiro.
Particularmente, não confio muito nestas versões e acredito que a origem do panetone vem do Ritual do Tronco, uma tradição natalina do século XIII, na qual três pães grandes eram assados sobre um tronco na lareira. O chefe da família distribuía dois e guardava um para o ano seguinte, simbolizando continuidade e prosperidade. É dessa tradição do pão grande que provavelmente surgiu o nome panettone, seu nome original em italiano.
Não há registros sobre isso, mas deduzo que o terceiro pão era guardado para a festa de San Biagio (São Brás), celebrada no dia 3 de fevereiro. Para os católicos, comer o Pão de São Brás protege de doenças da garganta e contra resfriados.

Um pouquinho de História
Na Europa medieval, o consumo de pães de farinha de trigo de alta qualidade era reservado à aristocracia. Para o resto da população, havia pães de milho, centeio ou cevada, que eram mais baratos.
Em 1395, quando os ventos renascentistas já começavam a soprar, o Decreto de Milão permitiu o uso do trigo durante o período natalino. Com isso, o Ritual do Tronco tornou-se ainda mais especial, com o chefe da família distribuindo o “pão grande” de trigo (um símbolo de fartura e prosperidade) a todos os presentes.
O que faz o Panettone ser tão especial?
O panetone possui diversas características que o tornam único.
A fermentação natural é o grande segredo. O panetone tradicional usa massa madre (levain), uma mistura de farinha e água, que se desenvolve lentamente. A cada dia, descarta-se uma parte e “alimenta-se” a massa com mais farinha e água fresca. Após um período de 5 a 7 dias, obtém-se uma cultura ativa e borbulhante, pronta para uso. Sendo cuidada adequadamente, a massa madre pode durar indefinidamente e há padarias que possuem levains centenários!
Este lindo vídeo da Fiasconaro mostra um pouco do fascínio da producao do panetone:
A lenta fermentação desenvolve sabores complexos e dá a textura aerada impossível de se reproduzir com fermentos químicos rápidos.
A textura é inconfundível: extremamente leve e aerada, mas ao mesmo tempo úmida e que dissolve na boca, resultado da alta hidratação e do processo de se trabalhar a massa lentamente, incorporando uma grande quantidade de ar.
Ingredientes selecionados: a versão tradicional leva muita manteiga (de 30 a 40% do peso da farinha), gemas de ovos e uma porção generosa de frutas cristalizadas e passas de qualidade. Ao longo do tempo, ousadas variações foram criadas, também uma consequência da internacionalização do panetone. Veja mais sobre isso em Além da Tradição: Como a Inovação está Transformando o Mercado de Panetones.

O resfriamento de cabeça para baixo – No início do século XX, Angelo Motta e Gioacchino Alemagna padronizaram a receita. Utilizando um molde de papel, criaram a versão alta, em formato de cúpula, que conhecemos. Motta também implementou o resfriamento de cabeça para baixo, que evita que o panetone murche enquanto ainda está quente e delicado.
Embalagens icônicas. Sendo um produto originário de Milão, Capital Italiana da Moda e do Design, o panetone não poderia deixar de brilhar também nas embalagens. Afinal, como diz um ditado, “os olhos comem junto”! Vamos explorar mais este tema em Embalagens de Panetone | Quando a Culinária Encontra o Design
Todo esse cuidado artesanal e tempo de preparo tornam o panetone incomparável a qualquer outro pão doce. É praticamente uma obra-prima da Panificação!
Itália | Criadora e Guardia do Panetone
Os italianos não apenas criaram o panetone, mas também preservam a tradição da produção artesanal. Há até uma competição oficial, a Panettone World Championship, que é realizada nas cidades de Verona e Milão, onde tudo começou. O evento é organizado pela Accademia dei Maestri del Lievito Madre e del Panettone Italiano desde 2019.
A Copa do Mundo do Panetone reúne equipes de diversos países, competindo em categorias que incluem o panetone clássico, de chocolate, inovador e decorado. A competição exige rigor absoluto e todos os ingredientes devem ser italianos. O corpo de jurados inclui mestres confeiteiros, campeões de edições anteriores, jornalistas especializados e especialistas italianos que avaliam cada detalhe: estrutura, alveolatura (os “buracos” na massa), aroma, equilíbrio de sabores, qualidade e distribuição das frutas.

Em 2025, a equipe “Squadra Brasile”, liderada pelo cearense Brunno Malheiros (Cheiro do Pão – CE) e composta por Joze Nilson Diniz (Artesian Bakery- SP), Matheus Andrade (RN) e Déborah Zanzini (SP), conquistou o segundo lugar mundial na categoria panetone de chocolate. Foi a primeira participação do Brasil na competição por equipes, e o resultado alçou o país à elite mundial da panificação artesanal.
A Expansão Global | De Milão para o Mundo

Do coração de Milão, o panetone viajou pelo mundo nas malas e nos corações dos imigrantes italianos. Cada comunidade italiana levou consigo não apenas a receita, mas também as tradições, os rituais e o significado emocional que ele representa.
Nos países que receberam grandes levas de imigrantes italianos, como Argentina, Estados Unidos (principalmente em cidades com grandes comunidades italianas como Nova York e Chicago) e Austrália, o panetone se tornou tão popular quanto no Brasil, sendo considerado essencial nas celebrações de fim de Natal.
O panetone conquistou até países sem ligação histórica com a Itália, como o Japão, Taiwan, China e Peru. Confeiteiros japoneses, por exemplo, participam de competições internacionais, trazendo suas próprias interpretações técnicas e estéticas.
Veja o papel da Bauducco na história do panetone no Brasil: Bauducco | A Marca que se Tornou Sinônimo de Panetone
Um Clássico com Muitas Interpretações
O panetone é prova de que a verdadeira tradição não precisa ser estática e ela pode se adaptar sem perder sua identidade original.
A competição mundial de 2025 ilustra perfeitamente essa expansão: equipes de nove países de quatro continentes — Argentina, Austrália, Brasil, China, Alemanha, Japão, Peru, Espanha e Taiwan — se reuniram em Milão, mesclando sua identidade cultural com a tradição italiana.
O resultado desta simbiose cultural foi o surgimento de criações regionais e exóticas, que só enriquecem sua longa história. Onde quer que o panetone chegue, ele se mistura com os sabores locais, gerando novas interpretações, que só enriquecem sua história. Como esta delícia da Dengo, recheada com a nossa brasileiríssima goiabada.

Vamos explorar este tema no post Além da Tradição: Como a Inovação está Transformando o Mercado de Panetones.
Um Presente Carregado de Simbolismo
Dar um panetone de presente é um gesto que carrega um forte simbolismo. É oferecer abundância, desejar prosperidade e expressar o desejo de que aquela pessoa esteja bem alimentada, no corpo e na alma.
Servido inteiro à mesa, o panetone é um símbolo de comunhão familiar, continuidade, boa sorte para o ano seguinte. Tradição com raízes centenárias; um eco distante do antigo Ritual do Tronco.
No Brasil, o panetone se tornou um dos presentes corporativos mais populares do fim de ano. Empresas distribuem panetones aos funcionários como forma de agradecimento e reconhecimento. Muitos aguardavam ansiosos as cobiçadas latas da Bauducco.
Embora a Bauducco seja líder de mercado, algumas marcas brasileiras vêm ganhando cada vez mais espaço, especialmente no segmento premium, como a Cacau Show, a Dengo e a Ofner, com criações artesanais, opções variadas com sabores especiais. Também há alternativas veganas, sem glúten, sem lactose ou sem açúcar.

Entre marcas nacionais e importadas, há opções para todos os bolsos e gostos. Para quem deseja surpreender com um presente elegante e diferenciado, os panetones artesanais são uma excelente escolha.
Ao partir seu próximo panetone, lembre-se de que está participando de uma tradição que une milhões de pessoas ao redor do mundo, atravessou séculos de história e celebra o que há de mais precioso: os laços que nos unem.
Feliz Natal!
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